Na minha estante: A Bússola de Ouro - Philip Pullman

19:12

Há um tempo atrás tinha lido esse livro e achei super interessante.
Achei que já tivesse postado alguns trechos dele aqui, como não, faço agora.
Para os curiosos, vale muito a pena ler.
Uma viagem de Philip Pullman.

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" Agora a cabeça de Lyra estava cheia de trovões, como se ela estivesse tentando evitar que certa informação chegasse ao seu consciente.
Tinha saído da cama e ia vestir suas roupas quando caiu no chão de repente. Um agudo grito de desespero a envolveu. O grito saíra dela, mas era maior do que ela; era como se o desespero é que estivesse gritando. Pois ela havia se lembrado das palavras dele: a energia que une o corpo ao dimon é imensamente poderosa; e para servir de ponte entre os dois mundos era preciso uma descarga de energia fenomenal...
Ela acabava de perceber o que fizera.
Tinha lutado para chegar até ali para levar algo a Lorde Asriel, pensando saber o que ele queria; e não era o aletiômetro. Tudo que ele queria era uma criança.
E ela tinha levado Roger para ele!
Por isso ele tinha gritado quando viu Lyra: "Não mandei buscá-la!"; ele mandara buscar uma criança, e o destino lhe trouxera sua própria filha - era o que ele havia pensado, até ver Roger. "


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" E quando Lyra desviou o olhar deles, viu a própria Sra. Coulter presa nos braços de Lorde Asriel. A luz brincava em volta deles como raios e centelhas de intensa energia anbárica. Lyra, impotente, só podia imaginar o que tinha acontecido: a Sra. Coulter havia conseguido atravessar o abismo e chegar até ali...
Seu pai e sua mãe, juntos!
E num abraço apaixonado: uma coisa inimaginável. "


" A luz enchia todo o céu ao Norte; sua imensidão mal podia ser concebida. Como se estivessem presas no próprio céu, grandes cortinas de delicada luz se pendiam e estremeciam. Com seus tons de verde-claro e rosa, transparentes como a renda mais fina, e tendo como bainha uma faixa de um púrpura profundo e gigante como as chamas do Inferno, elas balançavam e cintilavam com mais graça do que a mais graciosa dançarina. Lyra chegou a pensar que as escutava: um sussuro intenso e distante. No meio daquela delicadeza evanescente, ela experimentou uma emoção tão profunda como a que havia sentido quando estava perto do urso. Aquilo a comovia, era muito lindo, quase sagrado; ela sentiu lágrimas nos olhos, e as lágrimas dividiram ainda mais a luz em arco-íris prismáticos. Não demorou para que ela se encontrasse no mesmo tipo de transe de quando consultava o aletiômetro. Pensou claramente: talvez a mesma força que move o ponteiro do aletiômetro crie também a Aurora Boreal. Podia ser até o próprio Pó. Ela pensou isto sem perceber que tinha pensado, e logo esqueceu; só foi se lembrar muito tempo depois.
Enquanto Lyra observava, a imagem de uma cidade se formou atrás dos véus e dos jatos de translúcida luz: torres e domos, templos e colunatas, amplas praças e parques iluminadas pelo sol. Olhar para aquilo lhe dava uma sensação de vertigem, como se não estivesse olhando para cima e sim para baixo, através de um abismo tão largo que nada poderia atravessá-lo - aquela cidade ficava a um universo inteiro de distância.
Mas alguma coisa se movia através do abismo, e, ao tentar focalizar a visão no momento, ela ficou tonta, porque a coisinha que se movia não fazia parte da Aurora Boreal; era no céu, acima dos telhados da cidade. Quando conseguiu distinguir claramente, ela havia saído inteiramente do transe e a cidade celeste tinha desaparecido. "

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" A ponte aguentou. Ela deu outro passo, mais outro, e então sentiu que alguma coisa cedia sob seus pés e saltou para a borda com toda a força que tinha. Aterrissou de barriga na neve e no mesmo instante a ponte inteira caía no abismo.
Pantalaimon tinha as garras cravadas nas peles do agasalho da menina.
Depois de um minuto, ela abriu os olhos e rastejou para longe da borda. Já não havia caminho de volta. Ela ficou de pé e levantou a mão para o urso que a observava. Iorek Byrnison ficou de pé nas patas traseiras para se despedir, e então desceu a montanha correndo, para ir ajudar seus guerreiros na batalha contra a Sra. Coulter e os soldados do zepelim.
Lyra estava sozinha. "" Ela se virou para o lado em que brilhava o sol. Atrás deles, ficavam a dor, a morte e o medo; à frente deles, a incerteza, o perigo e mistérios inimagináveis. Mas eles não estavam sozinhos.
Assim, Lyra e seu dimon deram as costas ao mundo em que nasceram, e caminharam para o céu.

Final do Livro Um. "

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