Na minha estante: A Cidade do Sol - Khaled Hosseini

19:51



Mais uma dica de leitura que também achei super interessante e não havia postado a respeito.
Para quem leu "O Caçador de Pipas" fica este livro, do mesmo autor, como dica.
Boa leitura!


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"_ Sua burra! Acha que ele liga para você, que vai querê-la em sua casa? Acha que ele a considera sua filha? Que vai levar você até lá? Ouça bem o que vou lhe dizer. O coração de um homem é uma coisa muito, muito perversa, Mariam. Não é como o útero de uma mãe. Ele não sangra, não se estica todo para recebê-la. Sou a única pessoa que a ama. Sou tudo o que você tem no mundo, Mariam, e, quando eu tiver ido embora, não terá mais nada. Nada, entendeu? Porque você não é nada!"

"Os outros também entenderam quando Tariq se levantou novamente, equilibrando-se numa perna só. Saiu pulando, então, na direção de Khadim e o atacou empunhando a perna mecânica bem alto, como se fosse uma espada. Mais que depressa, os garotos se afastaram deixando-lhe o caminho livre para acertar Khadim.
Depois, só se via poeira, punhos, chutes e ouviam-se gritos.
Khadim nunca mais se meteu com Laila."




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"Logo depois, mammy pegou no sono, deixando Laila dominada por emoções conflitantes: por um lado, o alívio de saber que a mãe pretendia continuar viva; por outro, a dor de saber que não era por sua causa. Nunca deixaria a sua marca no coração de mammy, como seus irmãos tinham deixado, porque aquele coração era uma espécie de praia desbotada onde as pegadas da menina seriam sempre apagadas pelas ondas da tristeza que se erguiam e quebravam, se erguiam e quebravam."

"Estava loucamente apaixonada, e sem qualquer esperança.Quando ele estava por perto, Laila não conseguia se impedir de ter os pensamentos mais escandalosos, imaginando aquele corpo esguio, nu, abraçado ao seu. Deitada na cama, à noite, pensava nele beijando a sua barriga, imaginava a doçura dos seus lábios, o toque das suas mãos no seu pescoço, no seu peito, nas suas costas e até descendo mais pelo seu corpo. Quando pensava nele desse jeito, ficava culpadíssima, mas também sentia alguma coisa diferente, uma sensação de quentura que vinha subindo desde a sua barriga até parecer que o seu rosto estava vermelho."

"Ele chegou mais perto e suas mãos se tocaram uma vez, e outra mais. Quando em alguma hesitação, os dedos de Tariq tentaram segurar os seus, ela deixou. E quando ele se inclinou subitamente e encostou seus lábios nos seus, ela também deixou.
Naquele instante, tudo o que mammy tinha dito sobre reputação e mainás lhe pareceu absolutamente insignificante. Até mesmo absurdo. No meio de tanta matança e de tantas pilhagens, de todo aquele horror, aquele beijo ali debaixo de uma àrvore não podia fazer mal algum. Era uma coisinha à toa. uma indulgência facilmente desculpável. Então, deixou que Tariq a beijasse e, quando ele se afastou, Laila se inclinou para beijá-lo, com o coração aos pulos, o rosto ardendo, um fogo queimando por dentro."


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"Nos dias e semanas que se seguiram, Laila tentou desesperadamente se lembrar do que aconteceu depois. Como um amante da arte fugindo de um museu em chamas, agarrava o que podia - um olhar, um sussurro, um gemido - , buscando preservá-lo evitar que desaparecesse. O tempo porém é o mais inclemente dos incêndios e, afinal, não deu para salvar tudo. Mas ela conseguiu guardar algumas coisas. Aquela dor tremenda lá embaixo, como nunca tinha sentido antes. A nesga de sol no tapete. Seu calcanhar roçando a superfície dura e fria da perna dele, retirada às pressas e jogadas ali no chão, ao seu lado.As mãos em concha nos cotovelos dele. Aquela marca de nascença em seu ombro, parecendo um bandolim de cabeça para baixo, reluzindo em vermelho. O rosto dele pairando sobre o seu. Os cachos negros balançando tocando de leve em seus lábios, em seu queixo. O pavor de serem descobertos. A sensação de não conseguir acreditar na própria audácia, na própria coragem. O estranho e indescritível prazer mesclado à dor. E o olhar, a imensa variedade de olhares que viu no rosto de Tariq: de apreensão, de ternura, de desculpas, de constrangimento, mas, acima de tudo, acima de tudo mesmo, de desejo."

"Com os dentes batendo, Laila lhe pediu que apagasse a luz.

Mais tarde, depois de se certificar de que ele estava dormindo, a garota estendeu a mão para apanhar a faca que tinha escondido debaixo do colchão. Com ela, fez um pequeno corte no dedo indicador. Depois, ergueu as cobertas e passou o dedo com sangue no local onde eles tinham estado juntos."

"Dirigindo-se à sua mesa, defronte dos alunos, lembra da brincadeira que voltaram a fazer na véspera, enquanto jantavam. Aquilo estava se tornando um verdadeiro ritual, desde que Laila tinha lhes dado a notícia. Passavam horas assim, cada um defendendo a sua própria escolha. Para Tariq, devia ser Mohammad. Zalmai, que acabou de ver o vídeo do Super-Homem, não se conforma quando lhe dizem que um menino afegão não pode se chamar Clark. Já Aziza vem lutando pela vitória de Aman. E Laila prefere Omar.

Mas a brincadeira só envolve nomes masculinos, porque, se for menina, Laila já escolheu o nome que vai lhe dar."



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