Na minha estante: O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini

10:48


Oi pessoal!
O post é mais uma dica de leitura, e assim como os outros livros, esse também tem uma história fantástica e emocionante.
Além do livro há também a produção de um filme, mas particularmente ainda prefiro os detalhes de uma boa leitura, e recomendo o filme para depois da leitura, apenas para acrescentar imagens à narração.
Aproveitem!



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"Fechava a porta e me deixava imaginando por que, com ele, tudo era sempre coisa de gente grande. Sentava junto da porta, abraçando os joelhos contra o peito. Algumas vezes ficava sentado ali uma hora, outras vezes, duas, ouvindo as conversas e os risos deles."
"Hassan e eu mamamos no mesmo peito. Demos os nossos primeiros passos na mesma grama do mesmo quintal. E, sob o mesmo teto, dissemos nossas primeiras palavras.
A minha foi baba.
A dele, Amir. O meu nome."

"_Bem... - recomeçou ele - o que eu queria perguntar é por que o homem matou a esposa. Na verdade, por que ele precisava estar triste para derramar lágrimas? Será que não podia simplesmente cheirar uma cebola?"
"Não sei quantas vezes o atingi. Tudo o que sei é que, quando finalmente parei, exausto e ofegante, Hassan estava todo lambuzado de vermelho, como se tivesse passado diante de um pelotão de fuzilamento. Caí de joelhos, cansado, sem forças, frustrado.
Foi então que Hassan apanhou uma romã e veio andando na minha direção. Abriu a fruta e a esmagou na própria testa.
_Pronto! - disse ele, com voz rouca, e com o suco vermelho escorrendo pelo rosto como se fosse sangue. - Está satisfeito agora? Está se sentindo melhor?
Depois, virou as costas e começou a descer a colina.
Deixei as lágrimas rolarem livremente e, de joelhos, fiquei balançando o corpo para frente e para trás.
_O que é que vou fazer com você Hassan? O que é que vou fazer com você?
Quando as lágrimas secaram, porém, e comecei a me arrastar colina abaixo, já sabia qual a resposta para essa pergunta."


"_Por você, faria isso mil vezes! - me ouvi dizendo.
Virei, então, e saí correndo.
Tinha sido apenas um sorriso, e nada mais. As coisas não iam se ajeitar por causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça vôo.
Mas me aguarrei àquilo. Com os braços bem abertos. Porque, quando chega a primavera, a neve vai derretendo floco a floco, e talvez eu tivesse simplesmente testemunhado o primeiro floco que se derretia.
Saí correndo. Um adulto correndo no meio a um enxame de crianças que gritavam. Mas nem me importei. Saí correndo, com o vento batendo no rosto e um sorriso tão grande quanto o vale do Panjsher nos lábios.
Saí correndo."

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