Na minha estante: O Menino do Pijama Listrado - John Boyne

06:34

Assim como A Menina que Roubava Livros, uma hitória emocionante passada na Alemanha de Hitler.
Boa leitura.


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"Despedir-me deles?", ele perguntou, encarando-a com surpresa. "Despedir-me deles?", repetiu, cuspindo as palavras como se a boca estivesse cheia de bolachas que ele mastigara mas ainda não engolira. "Despedir-me de Karl e Daniel e Martin?", prosseguiu Bruno, a voz se aproximando perigosamente do grito, o que não era permitido dentro de casa. "Mas eles são os três melhores amigos da minha vida toda!"
"Ah, você fará novas amizades", disse a mãe, acenando com a mão no ar, como se dispensasse o assunto, supondo que, para um menino, fazer três grandes amizades para a vida toda fosse coisa fácil.


"Não estou falando deles", disse Bruno. "Quero saber daquelas pessoas que eu vejo da minha janela. As que moram nas cabanas, lá longe. Estão todas com as mesmas roupas."
"Ah, aquelas pessoas", disse o pai, acenando com a cabeça e sorrindo levemente. "Aquelas pessoas... Bem, na verdade elas não são pessoas Bruno."





"Ele juntou os pés e ergueu o braço direito no ar antes de bater um calcanhar no outro e dizer numa voz tão profunda e clara quanto possível - tão parecida com a do pai quanto ele conseguia fazer - as palavras que dizia sempre que saía da presença de um soldado.
"Heil Hitler", disse, o que Bruno presumia ser outra forma de dizer: "Bem, até logo, tenha uma boa tarde".


"Olá", disse Bruno.
"Olá", disse o menino.
O garoto era menor do que Bruno e estava sentado no chão com uma expressão de desamparo. Ele vestia o mesmo pijama listrado que todas as outras pessoas daquele lado da cerca, e um boné listrado de pano. Não tinha sapatos ou meias, e os pés estavam um pouco sujos. No braço ele trazia uma braçadeira com uma estrela desenhada.


"O Fúria e Eva ficaram lá por quase duas horas, e nem Bruno nem Gretel foram chamados escada abaixo para se despedir deles. Bruno observou-os indo embora da janela do quarto e reparou que, quando chegaram perto do carro, que o impressinou porque tinha um motorista, o Fúria não abriu a porta para sua acompanhante; em vez disso, entrou e começou a ler um jornal enquanto ela se despedia uma ultima vez da mãe, agradecendo-lhe o delicioso jantar.
Que homem horrivel, pensou Bruno.





"Quando Bruno disse isso, Shmuel sorriu e balançou a cabeça e Bruno soube que estava perdoado. Então Shmuel fez algo que nunca havia feito antes: ele ergueu a parte de baixo da cerca como sempre fazia quando o amigo lhe trazia comida, mas desta vez ele estendeu a mão por baixo e a manteve lá, esperando até que Bruno fizesse o mesmo. Os dois meninos apertaram as mãos e sorriram um para o outro.
Foi a primeira vez que eles se tocaram."


"Pensando bem", ele disse, olhando para Shmuel, "não importa se eu lembro ou não. Eles não são mais meus melhores amigos mesmo." Ele olhou para baixo e fez algo bastante incomum para a sua personalidade: tomou a pequena mão de Shmuel e apertou-a com força entre as suas.
"Você é o meu melhor amigo, Shmuel.", disse ele. "Meu melhor amigo para a vida toda."


"A mãe não voltou a Berlin tão rápido quanto esperava. Ficou em Haja-Vista por muitos meses à espera de noticias de Bruno, até que um dia, muito subitamente, pensou que ele tivesse ido sozinho para casa, e então de imediato retornou à casa antiga, de certo modo acreditando encontrá-lo sentado na soleira da porta, esperando por ela.
É claro que ele não estava lá.”

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