Na minha estante: Comer, rezar, amar - Elizabeth Gilbert

09:16


Nunca li um livro de autoajuda e espero honestamente nunca precisar. Ainda acredito que para ser feliz você deve depender de si mesmo, é um amor próprio: se você não se ama e não se dá valor, quem o fará? Mas que fique claro que não incrimino ninguém que já leu algo do tipo, só não sou fã.
E então você me pergunta: “por que toda essa história de livro de autoajuda?”.
Porque ao terminar de ler a história – e todo o drama – da vida pessoal de Liz me senti um tanto quanto leve.
Em Comer, rezar, amar, Liz parte para a sua busca pessoal, ela procura a paz interior, a cura para suas culpas, mágoas e sofrimentos após um divórcio traumático e um namoro que ela precisou abrir mão para o próprio bem.
Liz passa uma temporada na Itália aprendendo a língua por puro prazer e degustando as melhores massas, vinhos e sorvetes.
Depois segue para a Índia à procura de Deus e através da meditação e de uma vida simples procura paz e as respostas para os seus dramas.
Já na Indonésia ela dá continuidade ao conselho que um xamã lhe deu dois anos antes durante uma viagem de trabalho. Lá ela faz amizade com uma indonésia divorciada que sabe bem o sofrimento pelo qual Liz passou, e ainda pior, em uma cultura onde o divórcio é quase algo proibido. Liz ajuda então essa mãe “solteira” de três filhas – duas adotadas – a comprar uma casa para sua família, ensina um pouco de inglês ao seu velho amigo xamã enquanto tenta descobrir sua verdadeira idade – algo entre 65 e 112 anos – e ainda dá uma chance ao amor com seu novo amigo brasileiro.
Toda a história real de Gilbert narrada em Comer, rezar, amar durante um ano de viagem pelo mundo para se redescobrir como pessoa me deixou entusiasmada pelo simples e lindo fato de poder conhecer outras pessoas e culturas, aprender outros idiomas e contar toda a sua experiência em um best-seller.
Entretanto confesso que no começo tive que ser persistente para continuar a leitura. O livro, dividido em três partes – Itália ou “diga como se estivesse comendo” ou trinta e seis histórias sobre a busca do prazer; Índia ou “parabéns por conhecê-la” ou trinta e seis histórias sobre a busca da devoção; Indonésia ou “até de roupa de baixo eu me sinto diferente” ou trinta e seis histórias sobre a busca do equilíbrio – possui trinta e seis “capítulos”, tudo devido à lógica do japa mala, que é um cordão de contas tipo um terço usado há séculos na Índia.
Devido à isso, ao mesmo tempo que um capítulo dá continuidade ao outro, isso é óbvio, você se perde no próximo capítulo se perguntando porque a autora está dizendo aquilo, se tem alguma coisa a ver com o capítulo anterior, e por aí vai. Demorei um pouquinho até pegar o jeito da coisa, mas me apaixonei.
Recomendo a leitura se você gosta de viajar, aprecia momentos e pessoas novas e se está a fim de tentar se conhecer um pouquinho melhor assim como Liz.
Dito isso, faça uma boa viagem e tenha uma ótima leitura!

P.S. 1: se você reparar na arte da capa o "comer" está escrito com macarrões, o "rezar" são o japa mala e o amar são pétalas de flores (ao meu ver).
P.S. 2: sobre o filme ainda não assisti! Como uma boa leitora preferi o livro primeiro, mas assim que assistir conto tudo aqui no blog.

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