Meu conto de amor

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“Eu imaginei sentir uma paixão sem outra igual, que causasse um auê que pra nós fosse normal.”

Assim como as canções mais românticas e os contos mais apaixonantes, eu inventei você. Inventei um alguém que pudesse suprir todas as minhas necessidades, um alguém perfeito, pra mim.

Inventei um alguém que quisesse se fazer presente, que quisesse andar com os dedos entrelaçados aos meus, que quisesse me segurar pela cintura pra mostrar que está ali pra quando eu precisar, que apoiasse o braço nos meus ombros, descontraído, e o deixasse apoiado ali por um bom tempo.

Inventei um alguém que quisesse aproveitar comigo a simplicidade da vida, o prazer de apreciar o pôr do sol ao final de um dia quente de primavera, que quisesse afundar os pés descalços nos grãos de areia e deixar as ondas lavá-los depois, um alguém que apreciasse os gostos mais simples e deliciosos que uma gelatina pode ter e não tivesse a necessidade de sempre comer um crème brulée.

Inventei um alguém que quisesse trocar uma noite de balada e bebedeira com os amigos por um cinema com pipoca amanteigada e um lanche com batata frita, e claro, a minha companhia.

Inventei um alguém que não precisasse ser lembrado todos os dias que eu existo, mas que soubesse por instinto que sempre estarei presente nos momentos bons e difíceis, que mandasse um simples “boa noite, como você está?” por livre e espontânea vontade quando eu mais precisasse.

Inventei um alguém que fosse presente e não fosse apenas uma presença online.

Inventei, pelo simples fato de desejar as coisas mais belas e simples.

Inventei, pelo simples fato de não ter.

Inventei, pelo simples fato de você não querer ser.

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