Sonho adolescente

17:00




Dizem que amores de verão vem e vão. Da mesma forma como os de Carnaval. Não basta só andar na montanha russa e sentir aquela adrenalina enquanto o vento sopra os cabelos. 

É preciso mais.

Não era verão. Muito menos feriado de Carnaval. Mas na cabeça dela nada disso importava.

O que ela realmente considerava não era só aquele frio na barriga – a famosa sensação de borboletas no estômago -, mas o que valia a pena era aquilo que era verdadeiro, mesmo que o reencontro parecesse muito com aquela cena do seu romance preferido de Hollywood: quando os olhos se encontram por um milésimo de segundo e, ao abaixar os olhos, o cérebro leva bem menos tempo para reconhecer aquele olhar penetrante, o que a faz levantar a cabeça para ter a absoluta certeza que aquilo não era o acaso ou uma fantasia qualquer.

Depois de ter provas por experiência própria que os opostos se atraem, chegou a desconsiderar a chance de encontrar alguém com quem fosse tão parecida.

Então seus caminhos se cruzaram.

A idade não importava, passara a ignorar essa diferença quando o assunto fosse relacionamentos verdadeiros.

Os gostos? Impossíveis serem tão parecidos, mesmo quando não eram eles davam um jeito de ser.

Enquanto ele ouvia “Pais e filhos” ela cantava “Faroeste caboclo” no chuveiro.  

Seus times de futebol? Pouco importava se era o mesmo. Enquanto ele era fascinado pela bola correndo em campo, ela se divertia em brincar quando o time dele perdia. Melhor mesmo era quando ela vestia a camisa dele.

O que ele mais gostava de comer, ela adorava.

Os dois sempre brigavam, mesmo quando tudo estava em paz. 
Na verdade eles acendiam as faíscas para despertar o que havia de melhor um no outro: o amor em silêncio.

Ela adorava a forma com que ele brincava de viver, ele amava o jeito livre dela ser.

E assim eles poderiam se completar, não fosse o destino ou um mero acaso.

Quem sabe os olhos não tendem a se cruzarem novamente e aquele amor que ficou por tanto tempo preso na saudade da presença vivida no passado traga ao presente uma pequena amostra do futuro que não tarda a chegar.

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