A vez do interior Paulista

14:29

Matéria desenvolvida durante a aula de Jornalismo Impresso, para o jornal laboratorial FATO, do curso de Jornalismo, do Centro Universitário Toledo, sob orientação da professora Fernanda Mariano, no ano de 2013.



Com a diversificação da economia, região oferece estrutura para o desenvolvimento de setores produtivos e de negócios
Angélica Brito
Gabriéli Peres


Com o fim da graduação, muitos formados se veem perdidos em relação ao mercado de trabalho. Uma das inúmeras dúvidas é saber como dar o primeiro passo rumo ao exercício da profissão: deve-se mudar a rotina e transferir a futura carreira para as grandes capitais ou investir no interior, onde já construiu parte de sua vida?

No decorrer de alguns anos a expansão comerciária da região abriu portas para profissões que antes eram mais desenvolvidas nas capitais. Elas passaram a ter um maior campo, contando com mão de obra para suprir as necessidades da região.

Profissionais com experiência no mercado e professores confirmam o desenvolvimento do Noroeste Paulista na oferta de oportunidades de trabalho. De acordo com o historiador, Cledivaldo Aparecido Donzelli, mestre em História Social pela Unesp (Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho), o momento é muito promissor. 

“Especificamente na região de Araçatuba, ocorre um desenvolvimento do PIB (Produto Interno Bruto) e de renda que demonstra a diversificação da economia, possibilitando mais oportunidade de emprego em setores inexistentes até então. Esse município já se apresenta como um dos mais promissores centro regional de desenvolvimento, pois possui importante polo educacional, infraestrutura social e uma logística satisfatória de escoamento da produção.”

A cidade de Araçatuba tem, segundo o IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, referente ao ano de 2010, publicado em 2013), uma renda percapita mensal de, aproximadamente, R$ 847,76. No ano de 2000, esse valor era de R$ 503,20. Esse dado comprova o aumento do índice.

“Isso demonstra uma substancial melhora que estimula e atrai investimento em todas as áreas do setor produtivo, além de uma infraestrutura social robusta e capaz de possibilitar qualidade de vida”, afirma Donzelli.


 Profissionais de jornalismo agora têm seu espaço no interior


Nas pequenas e médias cidades as condições de mercado têm sido promissoras, como afirma o engenheiro de segurança do trabalho, Renato Aguiar Teixeira Mendes, que já atua no ramo há dois anos e meio, e que desde sua formação sempre pensou em trabalhar em sua região. “Para os residentes no interior, o que atrai é a proximidade da família e dos demais laços afetivos, adicionado a uma maior qualidade de vida, quando comparada à das grandes capitais”, comenta Mendes, que mora em Birigui.

Para a mestre em comunicação social, Ana Paula Saab de Brito, que atua na área de jornalismo regional desde 1994, o mercado de trabalho para os jornalistas na região melhorou muito nos últimos anos devido à abertura de novas possibilidades de emprego em instituições públicas e privadas. “O campo da assessoria de comunicação e imprensa é um deles. Houve uma expansão enorme nos últimos cinco anos nesse segmento”, comenta a jornalista.

“Percebi que a rotatividade na profissão é muito grande e que sempre haverá espaço para quem se dedicou durante a graduação e que almeja realizar um trabalho com seriedade”, destaca o assessor Diuan dos Santos Feltrin.

MODA

Para muitos estudantes e futuros especialistas em Moda, ainda existe o receio. A intenção ainda é de se especializar e sair de sua cidade. Contudo hoje, há novos conceitos para serem analisados antes de decisões como essa.


Coordenadora do curso de Design de Moda ainda vê grande carência de profissionais na região


Jussara Cristina Marangoni, coordenadora do curso de Moda do Centro Universitário Toledo, ressalta que Moda não é apenas o trabalho de confecção de produtos, roupas e sapatos, por exemplo; ela está em vários setores, desde o comportamento pessoal até a realização de eventos.

“A maioria dos alunos entra com uma visão de que Moda só acontece nos grandes centros, mas o bom profissional tem condições de ser absorvido pelo mercado do interior. Existe uma carência muito grande, por exemplo, de pessoas que consigam ter uma visão ampla sobre processos e cadeia de produção, que é fundamental para o gerenciamento de qualquer negócio voltado para Moda”, destaca Jussara.

Patrice Rosabone Dias, design de Moda, acredita que hoje o comércio absorve mais os formados nesta área, tanto no setor calçadista quanto no têxtil. “Ele pode se especializar e escolher a área que mais se identificar. O que vale é o esforço e a coragem para buscar cada vez mais conhecimento, não desistir e acreditar em si próprio”, comenta a estilista.

Além de toda essa mão de obra, não podemos esquecer como a tecnologia beneficia esses trabalhadores. O professor Sergio Henrique Ferraz de Souza, do Centro Universitário Toledo, pontua a situação favorável para o profissional de Sistemas de Informação na região.

“Não tenho dúvida quanto a isso. Costumo dizer a todos os meus alunos que o mercado está carente de profissionais. Um aluno que realmente se dedica aos estudos, mesmo que o básico em programação, que tenha uma boa desenvoltura para aprender, que esteja disposto a enfrentar desafios e não tenha medo de trabalhar, com certeza, tem seu emprego garantido antes mesmo de terminar a faculdade”. 

Deu certo!

Em Araçatuba a diversificação dos setores econômicos tem mudado a opinião de acadêmicos e profissionais. Hoje, há abertura para a demanda de produtos e negócios que beneficiam as contratações de novos colaboradores para atividades até pouco tempo não encontradas no interior.

O arquiteto Flávio Antoniali, que iniciou seus trabalhos em casa antes mesmo de abrir um escritório, hoje oferece oportunidades para estudantes da área e acredita no progresso local. “Acredito que Araçatuba está em um processo de expansão, e necessitamos de novos profissionais. Existe espaço para todos no mercado”, afirma Antoniali.


Estudante de Arquitetura e Urbanismo acredita no desenvolvimento regional


Para Jonathan Wesley de Souza Cardoso, que não pretende investir nos grandes centros, ficar no interior tem gerado boas oportunidades. Estagiando na área de Arquitetura e Urbanismo há alguns meses, ele vê o mercado regional com potencial para atrair grandes empresas e proporcionar assim maior expansão do mercado de trabalho.

“A região está passando por um período de crescimento e investimento, gerando grandes oportunidades. O curso de Arquitetura é uma graduação nova por aqui. Ainda há poucos profissionais disponíveis, que não suprem 100% o mercado, deixando espaço para que outros mostrem seu trabalho”.

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