Mais uma vez (Só)

05:59

 


Há vários dias não consigo dormir direito, não por falta de sono ou de cansaço, mas por muitos sonhos me perturbando, e nem são pesadelos, mas coisas aleatórias que me fazem acordar de madrugada e perceber que corri uma maratona enquanto dormia.

 

Não sei se por isso ou pela época (Páscoa), mas estou reflexiva sobre minha vida.

 

Acabei de encontrar um texto nas minhas coisas que escrevi dois anos atrás e descobri com dor no coração que de lá pra cá nada mudou, tudo continua igual, e que exatamente ontem estava analisando e lamentando a mesma coisa: a minha solidão.

 

Parafraseando eu mesma dois anos atrás, não é a solitude bonitinha, que todo mundo fala que faz bem; mas a solidão mesmo, o me sentir sozinha, quase abandonada. Mais uma vez me parafraseando, eu sei que de certa forma escolhi me recolher, escolhi ficar tranquila, ter os meus momentos; mas ao mesmo tempo tudo está parado demais, e não por falta de vontade da minha parte, mas parece que por falta de opção.

 

Aí muitas coisas passam pela cabeça: será que meu destino é ficar sozinha pra sempre? Será que vou conseguir realizar pelo menos alguns dos meus sonhos nessa vida? Será que vou conseguir construir uma família? Ser mãe? Amar e ser amada na intensidade que me entrego e que desejo receber? Será que vou conquistar minha casa própria? Um emprego bom o suficiente que me deixe empolgada e que valorize financeiramente os meus corres? Será que minhas viagens pelo mundo sairão do papel algum dia? Será que estou muito velha pra tudo isso?

 

Acredito que não sou a única pessoa na face da Terra com esses questionamentos, mas cada um tem seu ponto, e as minhas feridas são essas, e têm dias que elas sangram e doem demais.

 

Fazer coisas que gosto, como voltar a cantar e voltar a fazer parte do mundo das artes e das apresentações, foi uma das coisas que consegui “ticar” na minha lista de metas para esse ano logo no começo dele. Isso tem feito um bem enorme para os meus dias, são os meus momentos de diversão, distração, paz e alegria, que há muito tempo eu não tinha.

 

Prometi que esse ano eu faria mais coisas por mim, que não ia passar vontade por não ter companhia. E assim, para quem já estava se sentindo sozinha e sem amigos, é que passei a fazer as coisas totalmente sozinha. E particularmente já cansei. Não que eu queira abandonar e abrir mão dos meus momentos comigo mesma, mas porque eu sinto falta de presença.

 

Sinto falta de poder combinar um sorvete com uma amiga, ou de sentar na praça e jogar conversa fora, fazer a noite do cachorro-quente ou da pizza em casa, de ter com quem comemorar meu aniversário (com pessoas que realmente se importam e se preocupam comigo), ou de assistir um filme ou série agarradinha com alguém.

 

Sinto falta do auge dos meus 19 anos, e sei que aproveitei bem aqueles momentos com aquele grupo de amigos que nunca vou esquecer. Mas aí é que está, não que eu queria tudo aquilo de volta, eu só não queria que tivesse acabado. Mas a vida segue, e cada um tem o seu caminho pra trilhar, mas acreditava que com os meus 35 muita coisa estaria diferente. E aí eu volto nos questionamentos citados acima.

 

Não posso prever o futuro, mas gostaria muito de ter absoluta certeza que tudo vai dar certo de alguma forma, que nada dos perrengues que venho passando nos últimos cinco anos tenham sido em vão.

 

Mas pelo visto os passos são de formiga, e como diria Lulu Santos: “assim caminha a humanidade”.

 

Sigamos para um futuro de sonhos que possam ser realizados.

 



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